E eles dirão o que escutaram de vocês. Lisboa tem várias facetas, colinas e recantos. Podemos cruzar bairros, deslizar nas pedras da calçada. Podemos divagar nas ruas iluminadas em tons quentes, como percorrer as artérias deste grande corpo com séculos de vidas vividas. Em Lisboa, por entre avenidas e eixos, subimos e descemos. Podemos ver o rio desaguar no mar. Mas, é no Lago que nos vamos encont
rar. O Lago da cidade. O Lago do jardim. No jardim de um tempo que não nos pertence e que nunca deixou de existir. No jardim que procuramos. No jardim onde brincámos, onde namorámos, onde nos conhecemos e nos reencontrámos. E o Lago que nos convoca, o Lago que espelha o céu, cercado de vias e sonhos, rodeado de futuros imensos, tem um palco de pedra para os grandes protagonistas desta história que vos dissemos ser singular. No Lago, a vossa realidade flutua. E os sonhos, a saudade que alimenta o desejo, a reflexão, o convívio, a volatilidade do momento, a imprevisibilidade do instante, acomodam-se na solidez imperturbável, inamovível, deste acolhedor palco de pedra, forrado de memória, que se tornou um destino. Somos o que fazemos. Somos o que partilhamos. O que semeamos, o que dividimos – ao longo da vida - é o que nos define. E queremos vincar a nossa identidade. Não nos queremos perder nem queremos que vocês se percam. A nossa oferta não é vaga, nem extensa. Privilegiamos o poder de síntese… até mesmo no menu. Não vos queremos com grandes dilemas ou com dúvidas existenciais, mas jamais limitaremos a liberdade de escolha. Já vimos muita coisa. Já todos passámos por muito. Privilegiamos um bocadinho de emoção em propostas manifestamente sérias e que vos satisfaçam. Valorizamos o essencial e procuramos, em cada momento do dia, captar a essência. Queremos proporcionar, consoante a luz do dia, o que faz sentido aos sentidos. Seja na comida, na bebida, no som, no tom. Somos amor em tempo de guerra. Somos uma quebra na rotina. Somos a harmonia que falta. Somos refúgio. Somos conforto. Somos calor quando está frio. Somos brisa quando é preciso. Somos paz no meio do ruído. Somos a imperfeição do humanismo em que cremos. E aguardamos pelas personagens. Não queremos figurantes. Queremos actores principais a passar por entre os nossos cavalos brancos. Queremos artistas a percorrer o trilho iluminado a velas até ao nosso palco de pedra sobre o Lago. Queremos que representem para Lisboa. Queremos que levem as vossas deixas. E que sejam quem são. Ou não. Princesas, guerreiros, homens de fé, mulheres da razão, damas e cavalheiros, passaram por aqui. Agora é a vossa vez. Nós estamos aqui. Nós tratamos do resto. E aqui há espaço. Acolhedor. Para vocês. E há tempo também. Estamos aqui por vocês. Para os amigos de sempre, para quem namora, para quem não sabe o que quer e ao que vai. Estamos aqui para vocês. Para a família, para o clã, para a tribo. Para quem lê e para quem escreve. Para quem pensa e para quem sente. Para quem treme e suspira. Para quem beija. Para quem chora e para quem sorri. Para quem recorda e vive. Deixamos gravados nas paredes alguns fragmentos. Fragmentos de depoimentos que queremos perpetuar na memória de quem vive e respira Lisboa. Na Sala Pomar, na Estufa, na Esplanada Kepos, no Cais da Memória, registamos os afectos, recordamos o passado, projectamos o que há de vir. É especial. E, com ambiente, com música, com bebidas e petiscos, honramos a amizade, glorificamos o amor, celebramos a paixão pela vida.