09/05/2024
Axaxa o animal de estimação do RC....o cachorro que sorria latindo....
AXAXÁ: MEMÓRIAS DE UM VIRA-LATA NO CORAÇÃO DO REI
Quando Roberto Carlos tinha seis anos, ganhou o livro de histórias infantis intitulado "A História do Axaxá". A obra literária narrava as aventuras de um cachorro vira-lata de notável carisma.
Na trama, Axaxá se encanta perdidamente por uma cadela que perambulava pela rua de sua pequena cidade. Ela era uma figura enegrecida, lustrosa e fragrante. Com fervor, Axaxá a cortejava de todas as maneiras possíveis: declarava seu amor, cantarolava canções e lhe ofertava flores. O livro detalhava essas cenas com esmero.
Porém, um dia, na mesma rua modesta da cidadezinha, surgiu um cachorro da metrópole, grandioso e pomposo, desfilando em um conversível com a capota abaixada, vestindo terno, gravata e um chapéu elegante. Essa aparição, claro, deixou a cadela notavelmente impressionada. Axaxá, tomado por ciúmes, percebeu o fascínio dela pelo recém-chegado. Angustiado, começou a frequentar um bar de má fama, afogando as mágoas em bebidas. As ilustrações do livro mostravam Axaxá em um balcão de bar, emborcando uma bebida branca, possivelmente uma mistura de leite com vodka ou cachaça, numa tentativa desesperada de esquecer suas p***s.
Com o passar dos anos, Roberto Carlos se esqueceu de como a história do livro terminava. Mas, na época da Jovem Guarda, o Rei ganhou um cachorro "igual" ao da história e decidiu nomear seu novo amigo de quatro patas também de Axaxá.
Na canção "O Portão", Roberto Carlos traz o verso "Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo", retratando vividamente sua antiga casa no Morumbi, onde morou com sua família até o final da década de 1970. O cão que sorria latindo era Axaxá, um autêntico vira-lata, peludo, branco, de porte médio, com orelhas caídas e uma cauda que se enrolava para cima, formando um gracioso arco.
Essa cena ocorria sempre que Roberto voltava de shows ou viagens. A entrada de sua casa, decorada por uma rampa espaçosa, era o cenário desses reencontros. Axaxá, sempre ansioso, aguardava atrás do portão. Com a chegada de Roberto, o som da buzina e a subida pela rampa eram os sinais para Axaxá iniciar sua dança de boas-vindas, correndo ao redor do carro em pura felicidade. Quando Roberto saía do automóvel, o cão não pulava sobre ele, mas manifestava seu afeto em giros festivos, recebendo em troca a mesma efusividade de seu dono.
Nice, Ana Paula, Dudu e Luciana frequentemente chamavam o cão de Xaxá, mas seu nome real era Axaxá, inspirado no tal livro que Roberto lera durante sua infância em Cachoeiro de Itapemirim. Axaxá significava muito mais que um animal de estimação para Roberto; entre eles havia uma conexão emocional profunda.
Roberto Carlos sempre teve um grande afeto por animais. Embora não costumasse se aconchegar com eles no sofá, seu coração sempre se abria para qualquer vira-lata que encontrasse, adotando-os, cuidando de sua saúde e assegurando-lhes um lar confortável. Foi numa dessas ocasiões que Axaxá conheceu Carlota, uma parceira tão vira-lata quanto ele, com quem teve várias ninhadas. Os filhotes eram entregues pela então esposa de Roberto e pelos filhos a amigos e conhecidos. De todas as ninhadas, ficou ap***s um cachorrinho bicolor, cuja face dividida entre branco e preto inspirou o nome Ney Matogrosso, em homenagem à estrela do grupo "Secos e Molhados".
A separação de Roberto e Nice, em outubro de 1978, conduziu Roberto a uma vida solitária em um hotel. Nos meses seguintes, sempre que a música de Roberto tocava pelo rádio ou seus discos eram tocados em casa, Axaxá uivava. As crianças brincavam dizendo que ele estava cantando junto com o Rei, mas era um lamento de saudade. Nas visitas de Roberto, a celebração que faziam juntos expressava um amor profundo e inabalável.
Com o tempo, as lembranças na casa do Morumbi levaram Nice a mudar-se para um apartamento que não permitia animais. Axaxá, Carlota e Ney Matogrosso foram então viver em um pequeno sítio da família.
Axaxá viveu lá até o final de seus dias, partindo no início dos anos 1980, já bastante idoso. A notícia triste primeiro chegou a Dudu, que chorando ligou para Roberto no Rio de Janeiro, que também se emocionou profundamente. Assim, pai e filho compartilharam, por telefone, o choro pela partida de Axaxá, o cachorro que sorria (latindo).
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